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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A CASA

A CASA

Gritos ecoam agora pela casa vazia...
Na coluna da cozinha, adesivos das farmácias
lembram de nossas dores
E no balcão permanece a lembrança da boa comida,
Da "coroa de espinho", do café da tarde,
Dos seus odores...

No armador, a antena pendurada
Nada na ponta, desconectada,
lembra o "Chaves" e as novelas nossas,
os comentários dos jornais,
as noites em casa, as fossas...

Azulejos amados, testemunhos da nossa existência,
Gravaram ali dias de amor... imensos,
Paredes com resquícios de fotos,
De vidas e momentos intensos...

Os espelhos dos banheiros ainda estão lá,
com certeza memorizam as nossas faces,
baton, lápis, dentes escovados,
os nossos preparos para as festas nossas,
e as vezes os choros acovardados

Armadores sem os punhos das redes
que balançaram os filhos que lá se aqueceram
devem agora perguntar: onde vão?
Onde estarão? Sei que nunca esqueceram!

Verdade casa minha, casa nossa!
Que uma mulher sentada em um banquinho ao sol
e de pano amarrado na cabeça fez nascer
um ninho, aconchegante e divino
desenhando os teus espaços, viu crescer

E o amor inestimável do tutor
silencioso e observador
a tudo provia, sem destemor,
ciente e confiante, sem dor,
sabendo desse dia, dizia com esplendor:
“Na casa do Pai há muitas moradas” e
esta é a da terra, pra cá Ele me mandou!

Desta romagem terrestre,
para a qual preparamos a nossa viagem,
após combinarmos com Deus o nosso encontro,
nada levaremos, só saudade!
E quando retornarmos lembraremos,
mesmo que no déjà vu da eternidade,
dos nossos gritos ecoando pela casa,
gritos de amor, de muita felicidade!

Silézia/out/2011