A CASA
Gritos ecoam agora pela casa vazia...
Na coluna da cozinha, adesivos das farmácias
lembram de nossas dores
E no balcão permanece a lembrança da boa comida,
Da "coroa de espinho", do café da tarde,
Dos seus odores...
No armador, a antena pendurada
Nada na ponta, desconectada,
lembra o "Chaves" e as novelas nossas,
os comentários dos jornais,
as noites em casa, as fossas...
Azulejos amados, testemunhos da nossa existência,
Gravaram ali dias de amor... imensos,
Paredes com resquícios de fotos,
De vidas e momentos intensos...
Os espelhos dos banheiros ainda estão lá,
com certeza memorizam as nossas faces,
baton, lápis, dentes escovados,
os nossos preparos para as festas nossas,
e as vezes os choros acovardados
Armadores sem os punhos das redes
que balançaram os filhos que lá se aqueceram
devem agora perguntar: onde vão?
Onde estarão? Sei que nunca esqueceram!
Verdade casa minha, casa nossa!
Que uma mulher sentada em um banquinho ao sol
e de pano amarrado na cabeça fez nascer
um ninho, aconchegante e divino
desenhando os teus espaços, viu crescer
E o amor inestimável do tutor
silencioso e observador
a tudo provia, sem destemor,
ciente e confiante, sem dor,
sabendo desse dia, dizia com esplendor:
“Na casa do Pai há muitas moradas” e
esta é a da terra, pra cá Ele me mandou!
Desta romagem terrestre,
para a qual preparamos a nossa viagem,
após combinarmos com Deus o nosso encontro,
nada levaremos, só saudade!
E quando retornarmos lembraremos,
mesmo que no déjà vu da eternidade,
dos nossos gritos ecoando pela casa,
gritos de amor, de muita felicidade!
Silézia/out/2011
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quinta-feira, 6 de outubro de 2011
terça-feira, 23 de agosto de 2011
AO NOSSO PAI
AO NOSSO PAI
OS TEUS OLHOS NÃO ERAM APENAS OS TEUS OLHOS,
ERAM LUZES A NOS ILUMINAR
ASSIM COM AS TUAS MÃOS NÃO ERAM APENAS MÃOS,
MAS, TETO CONFORTÁVEL A NOS ABRIGAR
A TUA BOCA NÃO APENAS ERA UMA BOCA,
MAS,UMA FONTE INESGOTÁVEL DE SABEDORIA
BENDITA PELO TEU CÉREBRO NÃO APENAS CÉREBRO,
MAS, LIVRO MESTRE NOSSO DE CADA DIA
OS TEUS OUVIDOS? NÃO APENAS OUVIDOS,
E SIM, OUVIDOR DOS NOSSOS DESCAMINHOS
E TAMBÉM DAS HISTÓRIAS NOSSAS CAMINHADAS
SEMPRE PRAZEIROSAMENTE ACATADAS
OS TEUS PÉS, QUE NÃO APENAS PISAVAM,
ERAM GUIAS, SÁBIAS GUIAS NA ESTRADA
ONDE DEIXARAM RASTROS ORIENTANDO O NORTE
DESTA VIDA PARA NÓS TRAÇADA
(Silézia Franklin - 22/08/09)
segunda-feira, 18 de julho de 2011
quarta-feira, 2 de março de 2011

DEVANEIO
Ah... esse sorriso encarnado
Nessa boca tão amada
Tocada de batom pelos lábios meus
Tão teus...
Ah... esse cheiro de pele
Único, viril,
Inconfundível do corpo teu
Tão meu...
Ah... esse momento em que vens
Evitar por que? Não posso
Amor... é a única tradução
Desse devaneio louco
Tão nosso!
(Silézia Franklin 03/03/11)
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O Amor e Eu (Eduardo Gudin)
Um amor
igual a esse onde se vai achar
que quando parte vai pra nunca mais
mas sempre volta vento arrasador
Um amor
bem que podia ser amor normal
tal como eu pedia
no meu pensamento
Penso então
em dar um jeito no meu coração
disciplinar essa situação
e não ficar mais à mercê de mim
E do amor
invento mágoas pra lhe machucar
mas quando ele chora
eu é que lamento
Infeliz
de quem só quer brigar com o amor
igual eu fiz
melhor é ser a seu favor, um aprendiz
Se novamente ele me chama
eu vou mostrar que esse meu jeito mudou
se é pra ser feliz
eu vou
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

EMBARCAÇÃO
Sim, foi que nem um temporal
Foi um vaso de cristal
Que partiu dentro de mim
Ou quem sabe os ventos
Pondo fogo numa embarcação
Os quatro elementos
Num momento de paixão
Deus, eu pensei que fosse Deus
E que os mares fossem meus
Como pensam os ingleses
Mel, eu pensei que fosse mel
E bebi da vida como bebe
Um marinheiro de partida, mel
Meu, eu julguei que fosse meu
O calor do corpo teu
Que incendeia meu corpo há meses
Ar, como eu precisava amar
E antes mesmo do galo cantar
Eu te neguei três vezes
Cais, ficou tão pequeno o cais
Te perdi de vista para nunca mais
Mais, mais que a vida em minha mão
Mais que jura de cristão
Mais que a pedra desse cais
Eu te dei certeza
Da certeza do meu coração
Mas a natureza vira a mesa da razão...
(Francis Hime)
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Dez Anos
(Rafael Hernandez – versão: Lourival Faissal)
Assim se passaram dez anos
Sem eu ver teu rosto
Sem olhar teus olhos
Sem beijar teus lábios assim
Foi tão grande a pena
Que sentiu a minha alma
Ao recordar que tu
Foste meu primeiro amor
Recordo junto a uma fonte
Nos encontramos
E alegre foi aquela tarde para nós dois
Recordo quando a noite abriu seu manto
E o canto daquela fonte nos envolveu
O sono fechou meus olhos, me adormecendo
Senti tua boca linda a murmurar
Abraça-me por favor minha vida
E o resto desse romance só sabe Deus

..."Assim o principezinho, apesar da boa vontade do seu amor, logo duvidara dela. Tomara a sério palavras sem importância, e se tornara infeliz.
Não a devia ter escutado - confessou-me um dia - não se deve nunca escutar as flores. Basta olhá-las, aspirar o perfume. A minha embalsamava o planeta, mas eu não me contentava com isso. A tal história das garras, que tanto me agastara, me devia ter enternecido...
Confessou-me ainda:
Não soube compreender coisa alguma! Devia tê-la julgado pelos atos, não pelas palavras. Ela me perfumava, me iluminava... Não devia jamais ter fugido. Devia ter-lhe adivinhado a ternura sob os seus pobres ardis. São tão contraditórias as flores!"
SE ALGUÉM AMA UMA FLOR DA QUAL SÓ EXISTE UM EXEMPLAR EM MILHÕES E MILHÕES DE ESTRELAS, ISSO BASTA PARA QUE ELE SEJA FELIZ QUANDO A CONTEMPLA
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

"TEMOS QUE SER ARTISTAS" (Regina Facó)
A sua irritação não solucionará problema algum...
As suas contrariedades não alteram a natureza das coisas...
Os seus desapontamentos não fazem o trabalho que só o tempo conseguirá realizar.
O seu mau humor não modifica a vida...
A sua dor não impedirá que o sol brilhe amanhã sobre os bons e os maus...
A sua tristeza não iluminará os caminhos...
O seu desânimo não edificará ninguém...
As suas lágrimas não substituem o suor que você deve verter em benefício da sua própria felicidade...
As suas reclamações, ainda mesmo afetivas, jamais acrescentarão nos outros um só grama de simpatia por você...
Não estrague o seu dia. Aprenda a sabedoria divina,
a desculpar infinitamente, construindo e reconstruindo sempre...
Para o infinito bem!
Chico Xavier
Águas de Março
Tom Jobim
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o MatitaPereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando, é uma conta, é um conto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão,
É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
pau, pedra, fim, caminho
resto, toco, pouco, sozinho
caco, vidro, vida, sol, noite, morte, laço, anzol
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

Casa de Tom Jobim em São José também foi destruída pela força das águas
RIO - Usando caminhos alternativos, passando por localidades como Posse e Pedro Rio, num trajeto que durou mais de seis horas, Daniel Jobim conseguiu chegar ao Rio no fim da noite de quinta-feira, acompanhado do filho, Theo, de 5 anos e meio. O também pianista e compositor estava no Sítio do Poço Fundo, no município de São José do Vale do Rio Preto, onde seu avô, Tom Jobim, compôs "Águas de março" e tantos outros clássicos da canção brasileira, quando desabou o temporal da noite de terça e da madrugada de quarta-feira. O volume das águas de janeiro foi devastador na região, destruindo estradas, pontes e muitas casas, inclusive a primeira da propriedade da família Jobim, aquela na qual Tom passava temporadas na época em que escreveu "Águas de março".
SERÁ QUE ELE PROFETIZAVA?

Eu Te Amo
Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Juras Composição: Rosa PassosGuardar a sete chaves o nosso amor
A chave era só uma e foi perdida
O fogo era de palha e se acabou
Jurei não mais amar outra pessoa
Pra nunca mais chorar como chorei
Mas vi que amar é coisa muito boa
E assim mais uma vez me apaixonei
Eu tenho um coração muito indeciso
E juro pra depois voltar atrás
Agora vou fazer o que é preciso:
Eu juro que não juro nunca mais
domingo, 23 de janeiro de 2011
sábado, 22 de janeiro de 2011
PEQUENO PLÁGIO DE FERNANDO PESSOA

Quero ser sua,
Nem demais e nem de menos,
Nem tão longe e nem tão perto,
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te, sem medida.
E ficar na tua vida
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade.
Sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar quando for hora de calar
E sem calar quando for hora de falar.
Nem ausente e nem presente por demais,
Simplesmente, calmamente, ser-te paz…
Mas, confesso, é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças!
Dê-me um tempo de acertar nossas distancias!
INÚLTIL PAISAGEM

Mas pra que
Pra que tanto céu
Pra que tanto mar,
Pra que
De que serve esta onda que quebra
E o vento da tarde
De que serve a tarde
Inútil paisagem
Pode ser
Que não venhas mais
Que não voltes nunca mais
De que servem as flores que nascem
Pelo caminho
Se o meu caminho
Sozinho é nada
É nada
É nada
(Tom Jobim/Aluysio de Oliveira)
METADES

Esta máxima é do filósofo Oswaldo Montenegro:
..."Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso que eu me lembro ter dado na infância... Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei!
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito... E que o teu silêncio me fale cada vez mais ...
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço!
Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer ... Porque metade de mim é a platéia... E a outra metade é a canção!
E que minha loucura seja perdoada... Porque metade de mim é amor...
Mas a outra metade também ! "
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